terça-feira, 26 de agosto de 2014

IDENTIDADES INVISÍVEIS

O CAMINHO – MÉTODO

Iniciado em julho, o presente trabalho teve duração de 7 semanas, constando as seguintes etapas: 1) preparação – obtenção de autorização da universidade; preparação dos termos de autorização de pesquisa e uso de imagem; primeiros contatos e aproximações (duração de 2 semanas); 2) observação e interação – ocorreu nos corredores, nos horários de saída e intervalos do almoço (duração de 4 semanas); 3) entrevistas (duração de 2 dias); e 4) elaboração do trabalho- relato (duração de uma semana).

Já no período de preparação pudemos constatar a dificuldade imposta para a realização do trabalho, quando os representantes da universidade não queriam autorizar a convivência com os funcionários da limpeza durante os intervalos de almoço e nos corredores para a pesquisa. A justificativa para tal objeção foi que atrapalharia o trabalho e o descanso destes trabalhadores/as que fazem serviços “braçais”. Depois de negociar e insistir na necessidade da observação interativa para uma pesquisa de dados qualitativos, conseguimos a referida autorização. Este fato, não é algo isolado, mas parte de um modelo de universidade limitada, domesticada e que reproduz as relações de poder imperantes na sociedade.

Por parte da empresa prestadora de serviços pudemos notar uma extrema preocupação sobre como seriam feitas as conversas, de modo que a encarregada da limpeza foi destacada para me acompanhar de perto e para fazer a devida orientação às moças da limpeza sobre como se comportar na minha presença. Este fato ficou marcado pela frase da supervisora “moço, temos que ter cuidado, porque essas trabalhadoras gostam de reclamar. Se a gente der o pé elas querem a mão”.

Diante destas limitações conseguimos realizar as observações de forma amistosa. Fui muito bem recebido pelas simpáticas senhoras da limpeza e muito bem acolhido, mas sempre com olhares de desconfiança. Foram vários encontros e conversas nos corredores, observação de momentos de trabalho e descontração, para que enfim conseguíssemos desenvolver aspectos importantes da observação, mas limitados pelo fator tempo, desconfiança e repressão velada.

Mesmo assim acreditamos que conseguimos manter contatos importantes, gerar um desconforto nos órgãos da universidade e na empresa ao questionar as relações de discriminação, distanciamento social, construção de identidades inferiores e exclusão. Também conseguimos apresentar para algumas destas trabalhadoras um problema que para elas é algo normal, que as incomoda, mas que elas sentem como seu lugar natural e inevitável.

Minha simples presença entre elas, como aluno da universidade, no refeitório dos “peões”, teve um impacto de transformar uma atitude que deveria ser natural, mas que para elas parecia que eu estava saindo do meu mundo de elite e descendo até o mundo delas, simples serviçais.

Por fim, acreditamos que conseguimos produzir um relato que poderá contribuir para posteriores discussões, reflexões e continuidade de um trabalho de luta por igualdade, direito à identidade e à universidade como algo de todos/as. Espero que gostem e que de alguma forma possa despertar alguns espíritos inquietos e solidários.



RELATO-CONVIVÊNCIA


PRIMEIROS CONTATOS E O REGIME DE TRABALHO – UM RETRATO

Já no primeiro dia em que fui ao refeitório, antes mesmo de obter a autorização oficial, pude obter boas conversas com duas funcionárias que trabalham no primeiro e no segundo andar do bloco delta nessa visita informal.

Falamos sobre suas origens nordestinas, que são minhas também, e isso facilitou uma interação, pois pudemos falar sobre temas amenos e trocar informações a esse respeito. Falei de minha intenção em realizar a pesquisa e quais os motivos do tema a ser abordado: contribuir para diminuir a distância, os preconceitos e questionar a forma como estas identidades são tratadas no interior da universidade, buscando transformar ou no mínimo gerar uma reflexão sobre o assunto.

Logo de imediato foram apontadas questões a esse respeito, fato que eu busquei não aprofundar por se tratar de um primeiro encontro. O fato do refeitório dos terceirizados e dos funcionários concursados serem em locais diferentes foi citado, sendo o dos terceirizados na área do piso inferior ao bandejão dos alunos. A própria separação física, colocando as trabalhadoras terceirizadas em um piso inferior, vizinho ao estacionamento e ao lado de depósitos de lixo e descarga de caminhões, já sugere uma espécie de segregação.

Também foi relatado que os funcionários se alimentam em outro espaço, não tendo assim nenhum contato neste momento entre ambos, cada um tendo espaço diferente de acordo com sua função na escala de trabalho. Também ficou no ar uma relação de indiferença, inferioridade e distanciamento entre estas duas categorias.

Quanto ao trabalho realizado por elas foi possível observar se tratar de um trabalho muito árduo e em condições precárias, talvez por isso a extrema preocupação por parte da empresa, já que o nosso relato podia aguçar reivindicações não desejadas.

Passaremos ao trabalho realizado no bloco DELTA e ALFA 2, que se assemelham aos serviços prestados nos demais blocos com algumas diferenças. Trabalham nestes dois blocos cerca de 19 funcionárias que chegam à UFABC através de transporte público, depois de terem acordado por volta de 4 horas e muitas delas terem realizado trabalhos domésticos antes de saírem de casa. Várias tem filhos pequenos, necessitam lavar, passar, fazer comida, deixar almoço pronto, etc, ocasionando uma dupla ou tripla jornada de trabalho.

Ao chegar na universidade às 6h elas se trocam e vão imediatamente realizar, com a tarefa de deixar nosso belo espaço limpo e impecável até as 7h, horário que já começa a circular alunos e professores que chegam mais cedo para estudar ou utilizar os espaços para outras tarefas. Neste período, praticamente sem terem se alimentado, realizam os seguintes serviços: limpeza dos banheiros, que são 18 sanitários por andar em um prédio com 4 andares, totalizando 72 sanitários; limpeza com pano úmido no chão; limpeza de todas as carteiras, lousas, mesas e janelas; troca dos sacos de lixo; e limpeza de todos os vidros com água e sabão. Além disso, nos corredores limpam o chão, todos os armários, corrimões e escadas.

Depois de realizarem todos estes serviços desgastantes elas têm uma pausa de apenas 10 minutos para um café e depois retornam ao trabalho. No restante do dia fazem novas limpezas necessárias e dão manutenção para que o chão e os banheiros se mantenham sempre limpos.

Almoçam em duas turmas, uma de 11h às 12h, e a outra de 12h às 13h. O almoço é trazido de casa em pequenos potes de plásticos dos mais variados. A empresa fornece vale-alimentação que pode ser utilizado para compras no mercado. Caso elas optassem ou ganhassem o direito de comer no bandejão a empresa retiraria o benefício do vale-alimentação.

As funcionárias terminam seu expediente às 15h e muitas ficam até 15h20 à espera de uma carona no fretado até o centro da universidade. Outro dado importante é que mais de 90% destas trabalhadoras são de origem nordestina e moram na periferia de São Bernardo do Campo, sendo os principais bairros Vila São Pedro, Alvarenga. Moram em casas com pouco espaço e pagam aluguéis que em geral consomem boa parte do salário.


RELAÇÕES E IDENTIDADES OBSERVADAS

Nesta seção relatarei o que pude coletar acerca da identidade que chamei de identidades invisíveis, termo utilizado por outros autores e trabalhos que abordaram o tema. São relatos apenas superficiais, devido a dificuldade encontrada e anteriormente relatada.

Pude observar em primeiro lugar um sentimento de não-pertencimento destas trabalhadoras em relação à universidade. Elas se sentem como intrusas no ambiente acadêmico, pelo qual elas nem se interessam ou sabem o que fazemos neste espaço. Se consideram simples serviçais que estão aqui para realizar serviços braçais sem importância alguma. Elas de fato não pertencem, nem são acolhidas por nós no interior da universidade, são apenas uma espécie de trabalhadoras domésticas no ambiente público e portanto são tratadas como não pertencentes à universidade, afinal são terceirizadas.

Sendo assim, a elas é negada a participação na identidade da universidade e suas identidades são resumidas a seu grupo de trabalho e ao serviço que realizam de forma monótona, cotidiana e invisível. Não interagem com alunos, professores ou funcionários, no máximo recebem um bom dia daquelas pessoas mais sensíveis, mas muitas vezes são tratadas com indiferença e até com desrespeito e arrogância como relatado nas entrevistas.

No quesito arrogância, o grau parece seguir o da patente na universidade. Sem necessariamente querermos generalizar, as entrevistadas relataram que entre os professores a arrogância é maior, de maneira que a maioria se relaciona com total indiferença, não dando sequer um bom dia ou qualquer outro tratamento.
Porém, mesmo em relação a alunos e funcionários a relação predominante também é de indiferença. Agimos como se elas fossem algo fora do padrão de cultura, um corpo estranho no cenário de nossa “civilizada” comunidade.

Certamente muitos podem achar um exagero, que essa é uma análise muito radical, afinal não podemos ser tão ruins assim. Entretanto, é este mesmo tipo de tendência a conciliar com erros e a suavizar os termos que levam muitos a minimizarem as consequências do racismo, da discriminação às mulheres e aos homossexuais e a advogarem que vivemos em um mundo onde essas opressões não existem.

Além da negação ao pertencimento, pudemos também notar a negação de qualquer conhecimento sobre o que fazemos aqui. Afinal elas tem que se por “no seu lugar” e já são orientadas a isso durante o próprio treinamento que recebem das empresas: mantenham a devida distância.
Perguntada sobre o que ela achava que fazíamos na universidade, uma das entrevistadas afirmou que achava que era medicina, pedagogia e “advocacia”. E que eram coisas muito importantes, que a maioria de nós era muito inteligente.

Esta negação ao conhecimento simples sobre o que se passa na universidade, o que fazemos, em que trabalhamos ou nos dedicamos, é um reflexo da impossibilidade de interação com alunos e professores, mesmo para uma simples conversa. Evidentemente que as diferenças culturais existem, mas são elas também moldadas pelas relações de desigualdade da própria sociedade.

No primeiro contato que tive com a supervisora, ela nos relatou o caso de duas funcionárias que teriam sido repreendidas por estarem utilizando os computadores da universidade, afinal o que uma serviçal quer utilizando um computador? Ela fez essa observação buscando me alertar para o perigo que era dar “liberdades” para este tipo de trabalhadores/as, afinal podiam até fazer uma greve.
Neste caso, além de não reconhecermos estas pessoas como trabalhadoras que deveriam ter direito a conhecimento e educação, já que elas compõem o conjunto dos trabalhadores que pagam através de seus impostos a própria construção e manutenção das universidades públicas, nós as excluímos de um local que lhes pertence, negando-lhes o direito de saber ao menos o que significa e para que serve uma universidade pública.

Ao perguntar a uma das entrevistadas se ela ou os filhos tinham perspectiva de cursar uma universidade, a resposta foi um riso que revelou que essa possibilidade nunca passou sequer pelo horizonte dela. Todos os filhos de nossa entrevistada estudam, mas nenhum nutre a “vontade” de ingressar na universidade, ou seja, eles não têm perspectiva de ingressar no ensino superior, pois desde cedo precisam se dedicar a trabalhos semelhantes ao dos pais para garantir o sustento da família. Evidentemente que temos exceções, mas a regra é que essas famílias mais simples vêem a universidade como um território intocável que não pertencem ao seu universo proletário. A eles não é permitido sequer sonhar em ter um filho médico, advogado ou engenheiro.

Uma frase que ilustra esse sentimento de esmagamento, embrutecimento e de consequente sentimento de inferioridade foi dada pela nossa entrevistada quando eu afirmei que era injusto elas serem tratadas como diferentes, a resposta veio rápida: “mas nós de fato somos, estamos em posição de inferioridade, somos faxineiras”. Com isso ela quis dizer que de fato elas se acham inferiores, a sociedade consegue naturalizar esta condição de inferioridade.

Nesta ocasião lembrei do episódio em que o famoso jornalista do SBT, Boris Casói, em um ato falho por não ter percebido que as câmeras haviam sido acionadas e que ele estava no ar, ao vivo, falou uma frase que chocou o país: afirmou que os lixeiros faziam parte da mais baixa escala do trabalho. Esta afirmação em cadeia nacional, chocou a muitos, mas apenas revelou como a sociedade se refere às pessoas mais humildes e mais humilhadas pelo injusto sistema em que vivemos.

Diante destas opressões identitárias, pudemos perceber que existem relatos que vão no sentido contrário também, isto é, alunos que são mais solidários e que buscam dar algumas palavras e manter uma aproximação, as vezes fazendo belos gestos e se integrando. Também ouvimos relatos semelhantes a funcionários da biblioteca e outros, o que ressalta a existência de um espaço para desenvolvimento de outros tipos de relações com estes nossos semelhantes.



ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

Conversamos durante as aulas sobre a cultura como algo inerente ao ser humano, sua pluralidade, diversidade e sendo exatamente esta multiplicidade de formas e conteúdos que nos torna diferentes dos demais animais e nos torna capazes de sobreviver e evoluir em uma escala gigantesca de situações e ambientes.

Neste sentido, seria de uma riqueza enorme para nós uma interação profunda com trabalhadoras portadoras de outras culturas, oriundas do nordeste, possuidoras de sabedorias e humores, o que possibilitaria conhecer suas crenças e costumes, trocar algo mais que os simples serviços braçais que elas nos proporcionam.

Uma expressão desta riqueza é dada quando observamos as relações internas deste grupo e podemos perceber, mesmo que ainda superficialmente, vários exemplos neste sentido, como relações de solidariedade, amizade, descontração e ajuda mútua, que estas trabalhadoras, sabedoras do sofrimento de cada uma, buscam estabelecer. Pude perceber isso nas conversas, nos olhares, no compartilhamento das marmitas na hora do almoço, na busca por um descanso após a refeição nos poucos locais onde podem sentar para descansar o corpo exausto do trabalho extenuante. Essa análise não exclui o fato de ser possível, mediante observações mais profundas, perceber graus de reprodução de individualismo, egoísmo e até de poder entre elas, uma vez que são parte da sociedade que tem características egoístas e necessariamente absorvem também esse aspecto.

Constatamos também as desigualdades na produção das identidades e que estas de fato não são aleatórias ou surgem de forma espontânea, mas são construídas em um ambiente contraditório, de disputas por espaço, de negação de direitos, de discriminações e preconceitos.
Por isso, precisamos refletir profundamente e cotidianamente sobre a sociedade que temos e na sociedade que queremos. O mundo e nossas identidades não são frutos do acaso, mas de relações sociais historicamente determinadas, fato pelo qual se faz necessário termos em mente que somos responsáveis na transformação e construção de identidades melhores para o futuro.

A aceitação de conviver com as situações de divisão social relatadas, é também a aceitação velada de uma série de outras opressões e negações a que somos vítimas todos os dias. Faz parte de um modelo imposto que nos nega o direito de nos expressarmos livremente, nega-nos os espaços de convivência e nos impõe um modelo educativo que tenta nos enquadrar como meros repetidores de fórmulas adequados às necessidades do mercado.

Como vimos nas aulas, estas identidades também são permeadas por relações de poder, se expressando mais claramente na posição institucional da universidade em relação à pesquisa com todos os “senões”, na preocupação da supervisora da empresa terceirizada e na completa vigilância exercida, orientando muitas vezes as funcionárias a manterem a distância e terem cuidado com o pesquisador. Ou seja, a negação da identidade como pertencimento não é algo espontâneo, necessário nem casual, mas parte de toda uma rede invisível de opressão, vigilância, que tem por objetivo em uma sociedade dividida em classes, fazer com que cada um se mantenha em seu lugar.

Por fim, podemos nos perguntar se de fato é inevitável vivermos em uma sociedade assim, onde temos a necessidade de termos seres humanos trabalhando de forma humilhante para servir a setores privilegiados. Trabalhadores que tem como única função limpar a sujeira que nós produzimos a todo instante em nossa sociedade de consumo desenfreado.

Outro questionamento pertinente consiste no que um nativo de uma tribo isolada pensaria ao ver uma sociedade que alguns limpam a sujeira dos outros, certamente lhes causaria um tremendo espanto e incompreensão, na medida que eles vivem em uma sociedade de colaboração e igualdade. Também se espantariam com a indiferença entre seres filhos de uma mesma mãe terra e vindos todos dos mesmos úteros e feitos todos de uma mesma matéria.


CONCLUSÕES FINAIS

Nosso pequeno relato é apenas uma interpretação resultante de uma observação muito superficial dadas as limitações relatadas no início do texto. Tivemos pouco tempo efetivo e uma integração superficial rodeada por desconfiança, receio, medo e realizada em condições inadequadas, limitadas e sob inúmeros empecilhos e vigilância.

Mesmo assim, acreditamos que para esta disciplina de Identidade e Cultura, foi uma pesquisa válida que mostrou algumas relações de identidade entre estas trabalhadoras tão invisíveis para a maioria de nós. Esperamos que este simples relato sirva de alguma forma para lançar um olhar crítico sobre como nos comportamos e nossa responsabilidade com o mundo em que estamos e que temos a obrigação com seus rumos e identidades a serem legadas para nossas futuras gerações.

No começo fiquei imaginando, como nos posts da professora, em ter um blogue recheado de fotos de senhoras felizes em serem clicadas, mas não foi isso que aconteceu. Minhas personagens se sentiram envergonhadas e se negaram a tirar fotos. Seus uniformes as deixam feias e elas não se sentem nada interessantes nem estimuladas a se mostrarem para universidade assim. Têm vergonha do que são, fazem e não querem que ninguém as vejam assim na internet e em lugar algum. Preferem mesmo nem serem vistas, serem invisíveis nestas horas.

Fiquei pensando neste detalhe. Certamente não é a toa o fato de terem uniformes que mais se assemelham a de presidiários. É parte da cultura implantada pelas empresas para que estas trabalhadoras se sintam realmente em situação de total inferioridade e mesmo de humilhação. Depois desta observação desisti de tirar fotos, pois de fato não tinha nenhum clima neste relato para imagens de pessoas felizes e sorridentes.

Não se trata de elas serem ou não pessoas felizes e bonitas, mas a circunstância de opressão e discriminação a que cheguei a concluir, existentes em um grau que não imaginava no início, me fez perceber que não caberia ilustrar desta maneira o trabalho. O clima não era propício.

Finalizo agradecendo a oportunidade de fazer este trabalho que muito me engrandeceu como pessoa e como ser humano, no qual pude me passar em revista, rever atitudes e pensar no que não tenho feito, no que posso fazer e na minha responsabilidade com o mundo que me rodeia. Espero que alguém leia e de alguma forma compartilhe a experiência que tive.



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