sábado, 26 de julho de 2014

ALGUMAS IMPRESSÕES DO PRIMEIRO CONTATO

No primeiro contato pude perceber alguma coisas que para mim deixaram várias perguntas a serem respondidas. Quando falei do afastamento que existia delas com os alunos professores e funcionários pude perceber uma grande concordância e uma vontade de falar que ficou contida neste primeiro momento. Fiquei sabendo que já no treinamento dado pelas empresas são feitas uma série de "recomendações" de como devem se "portar" no ambiente de trabalho. Fiquei bastante curioso, mas achei melhor não avançar com perguntas a esse respeito ainda.
Outra coisa que me chamou atenção foi que também percebi que a relação com os demais trabalhadores da universidade concursados, os TAs, não é uma relação tão próxima, visto que o próprio local de almoço e encontros nos intervalos são distintos, os TAs tem uma copa separada só deles.
Ao mesmo tempo pude ver levemente que entre aquelas trabalhadoras da limpeza existiam muitas coisas em comum e que elas conversavam entre si sobre diversos assuntos, compartilhavam coisas na hora do almoço e se relacionavam nos momentos diversos no dia a dia. Elas sem duvida constituem relações diversas e possuem seu próprio mundo dentro da ufabc. Fiquei pensando se conseguiria entender melhor toda essa situação e com certeza para isso será necessário bem mais que um único encontro. Encontri esse vídeo de uma reportagem que achei interessante.

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Esta semana iniciei meu trabalho em campo buscando estabelecer os primeiros contatos com elas, busquei fazer este contato da forma o mais natural possível e optei por visitá-las no horário do intervalo do almoço, pois imaginei que seria mais conveniente que abordá-las no corredor. Não sei se todos sabem, mas todos os trabalhadores das empresas terceirizadas almoçam em uma copa que fica no piso inferior ao restaurante universitário, com a entrada pelo outro lado. Esta localização, separada e no piso inferior me chamou a atenção.
Cheguei já quando elas estavam terminado de almoçar. Algumas estavam sentadas no chão pelo lado de fora do prédio descansando, outras ainda terminavam de comer. Me apresentei, pediram que eu entrasse. No primeiro momento falei apenas que era aluno, que estava ali porque gostaria de conhecê-las, algumas ficaram curiosas e ao mesmo tempo me pareceram surpresas com o interesse e pelos olhares faziam vários questionamentos...depois do primeiro choque apresentei meu interesse acadêmico nas conversas com elas, mas expliquei que também gostaria de contribuir de alguma forma para a relação delas na universidade e melhorar a própria universidade.
Em pouco tempo, para minha surpresa, o gelo estava quebrado. Me ofereceram suco e eu aceitei. Não fiz muitas perguntas, pois meu objetivo nesta primeira visita era apenas fazer essa aproximação, ganhar a confiança, apresentar ainda que superficialmente meus objetivos. Acredito que fui bem nesta primeira tarefa. Antes de sair, chegou uma das coordenadoras que supervisiona a limpeza de um dos blocos, com quem eu já avia falado antes. Ela veio falar comigo e expôs que por orientação de sua chefe, não seria bom que eu falasse diretamente com as funcionárias e que elas - as coordenadoras- poderiam me fornecer qualquer informação que eu desejasse sobre elas. Disse ainda o seguinte "temos que ter cuidado, porque você sabe como é trabalhador, se você der o pé, ele já quer a mão" e me contou que algumas das moças outro dia e queria até usar os computadores da faculdade.
Expliquei pacientemente que minha pesquisa deveria ser um relato das impressões diretas e que portanto precisaria ter o contato com elas, dai ela me passou o contato do chefe da Prefeitura Universitária ao qual eu deveria procurar para obter a autorização para as visitas.
Hoje consegui falar com o responsável da prefeitura universitária que foi bastante simpático e aparentemente não se opôs a pesquisa, mas me solicitou que fizesse o pedido por e-mail e que seria de fato necessário a autorização para que a pesquisa fosse realizada.











segunda-feira, 14 de julho de 2014

Reflexões sobre a relação das senhoras que realizam a limpeza com a comunidade universitária.

Estive pensando um pouco mais sobre o tema do trabalho de Identidade e Cultura e resolvi pesquisar sobres as senhoras que realizam a limpeza de nossa universidade. Quem são? onde moram? quais as suas condições de vida? como elas se sentem na interação com a universidade? Muito falamos sobre sentido de pertencimento, como algo fundamental para nós seres humanos e que muitas vezes realizamos determinadas ações no sentidos de sermos aceitos para satisfazer essa necessidade de "pertencer". Fiquei me perguntando como será que estas trabalhadoras, muitas delas talvez de origem nordestina, moradoras das periferias de nossas cidades sentem a sua presença na universidade?
E nós as sentimos como parte construtiva de nossa universidade, ou apenas pessoas realizando um trabalho de segunda categoria? as enxergamos como seres humanos, com suas qualidade ou passamos por elas como se não nos dissessem respeito ou fossem uma parte estranha a nós? afinal elas estão aqui apenas para limpar a sujeira que produzimos. Não são concursadas, recebem baixíssimos salários, possuem poucos direitos...
Passei a sentir e perceber através da observação como as pessoas passam por elas de forma indiferente, formal ou mesmo sem nenhum gesto de respeito, simpatia, mas simplesmente de indiferença. Elas realizam seu trabalho caladas e no máximo interagem com outra colega por algum motivo de trabalho. O sentimento que tenho é estas pessoas mais humildes neste nosso ambiente acadêmico de "excelência" se veem como inferiores e se sentem como um corpo estranho diante de alunos, professores e funcionários da universidade. Ou se veem e são vistos como se fossem nossos empregados domésticos porém realizando um trabalho em um espaço público.
Fiquei realmente com bastante vontade de investigar mais essa situação. Come será suas condições de trabalho, as tarefas que cada uma realiza, suas condições de alimentação, etc..Mas também uma grande curiosidade de saber os seus nomes, se tem filhos, sonhos, amores, amizades, enfim, conhecê-las como seres humanos e parte de nossa sociedade responsável para que estejamos todos os dias em nossas limpas e arrumadas salas de aulas, com nossas expectativas de futuro brilhantes, nossos títulos e tudo mais que a universidade pode nos proporcionar para sermos a futura elite do país...

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Inicio da leitura de "A Interpretação das Culturas" e reflexão sobre possibilidade de tema para pesquisa...

Iniciei neste fim de semana a leitura do livro Interpretação das Culturas de Clifort Geertz. Eu já havia lido dois capítulos do livro em disciplinas anteriores que são O impacto do conceito de cultura no conceito de Homem e A briga de Galos em Bali. Desde então tinha uma grande vontade de estudar toda a obra e compreender um pouco a visão do autor sobre os símbolos, os conceitos de cultura, a relação destes conceitos com a evolução do homem, o papel e os métodos da antropologia social, etc.. Consegui terminar o primeiro capítulo e pude verificar que é uma leitura bastante densa e que nos traz teses muito importantes.
Pude até agora refletir o papel desempenhado pelo antropólogo, como realiza sua pesquisa em campo, como realiza suas descrições, interpretações dos símbolos, buscando uma interpretação, construindo teorias, conceitos, definições que visam registrar de forma interpretativa as culturas as quais ele se propõe estudar e deixar sua contribuição para o conhecimento destas sociedades.

Para mim esta leitura trará diversos elementos novos para minha leitura do mundo, uma vez que traz não só os pontos de vista de um grande cientista social, mas que também traz em sua fundamentação um estudo que relaciona com os dados mais atuais da ciências sobre o desenvolvimento seja cultural e biológico.

Estive pensando um pouco mais sobre que assunto irei realizar minha pesquisa, pensei na possibilidade de estudar os trabalhadores da universidade, aquelas mulheres e homens que trabalham nas empresas terceirizadas, na limpeza, nas portarias, na segurança, motoristas, etc...fiquei pensando quem são, onde moram, qual sua situação de vida, como eles veem a universidade, como se relacionam(ou não) com alunos e professores e com demais funcionários concursados da universidade. Será que damos o devido valor a estes profissionais que são fundamentais para nossa permanência na universidade, será que eles não são descriminados por nós de alguma forma?? quantos lhes dão pelo menos um bom dia?? será que são invisíveis para a maioria???

Pensei nesta possibilidade, mas ao mesmo tempo no tamanho da tarefa, das entrevistas necessárias, conversas, não sei se teria tempo ou se não seria uma tarefa demasiada para ser realizada em apenas 3 meses...preciso refletir melhor e ver as condições para realizar esta tarefa...


terça-feira, 1 de julho de 2014

Dia 01/07

Neste dia achei a aula muito interessante, passei a compreender melhor a ideia de fazer um diário no blog para expor minhas impressões, reflexões sobre as aulas, sobre pesquisas a serem desenvolvidas e sobre as identidades percebidas ao redor. Achi que a turma estava mais integrada, interagindo melhor e superando a fase de espanto inicial causada pela metodologia das aulas.
Foi bastante interessante a discussão propiciada sobre as trocas, pudemos saber coisas sobre nossos colegas, conhecer um pouco mais sobre os gostos, o significado para cada um dos objetos levados para troca e que cada um fazia questão de apresentar como um pouco de si que estava ai naquele objeto que estava sendo oferecido a todos. Cada livro, cada roupa, colar, etc...tudo possuía um significado e uma história com aqueles que os levaram e estas histórias eram narradas como que para falar um pouco de si para os demais, todos queriam assim dar um pouco de si para o coletivo.
Os filmes apresentados do korosawa e do Hélio Leites nos trouxeram reflexões importantes sobre a vida, a natureza, sobre importância que devemos dar as coisas mais simples e que as vezes podemos estar dando demasiada importância a tecnologias, bens materiais, dinheiro, aparências e perdendo as coisas mais importantes para o ser humano.
Voltei para casa refletindo sobre muitas coisas e pensando sobre o que poderia fazer minha pesquisa. Acho que gostaria de fazer algo que pudesse contribuir de alguma forma para mudar ou melhorar esta relação das pessoas que infelizmente não são incentivadas a viver coletivamente, a ter uma relação mais humana. Pelo contrário o que existe é uma profunda propagação e facilitação do individualismo, egoísmo, consumismo desenfreado, etc...Uma coisa que a professora falou ficou em minha cabeça: vivemos uma contradição. Nunca foi tão fácil ter acesso a livros, a comunicação, mas as pessoas parecem que vivem cada vez mais distantes, dão menos importância aos livros, leituras, etc...Acredito que esse é um efeito perverso deste modo de vida que aliena os seres humanos, tira o significado do seu trabalho, estabelece um total controle sobre a sociedade...
Lembrei da fala de Hélio Leites quando relata seu diálogo com o desempregado na feira que lhe pergunda onde deve procurar trabalho e ele responde "entre a gente, procura entre a gente" e fala que a pior coisa é fazer o que não se gosta, que é inconcebível os nossos olhos, que piscam, que choram, serem obrigados a trabalhar com o que não gostam...Achei essa reflexão fantástica e tão simples...
A busca de uma vida completa, com as tristezas e alegrias, vida plural, complexa e prazerosa devia ser realmente o objetivo de todos os seres humanos.

Primeiras aulas

Faltei a primeira aula do dia 23/06 pois estava doente e não consegui acorda para ir a aula. No dia 27 compareci a primeira aula e fiquei meio deslocado devido ter faltado a aula anterior, rolou um sentimento de ter perdido algo e de estar meio desambientado, deslocado. Na verdade este quadrimestre já iniciei querendo que termine, bastante cansado e preocupado com o fato de ter que conciliar cinco disciplinas com bastante conteúdo e com um período bem complicado no meu trabalho, de muitas tarefas que exigirão muito de mim. Estes pensamentos me bloqueiam e me dificultam entrar no clima de motivação necessário para as aulas.
Com muito esforço consegui me concentrar no que estava sendo dito e percebi nas orientações da professora um método diferente do que estamos acostumados, uma busca por uma aula menos tradicional, mais criativa. Achei super interessante aquilo tudo e como tudo que é novo causa um certo espanto e dificuldade de entender a proposta. Até agora quando escrevo este texto ainda estou refletindo e buscando compreender a proposta e como melhor aproveitar esta oportunidade de aprendizado. Acho que estamos muito acostumados, dependentes, viciados, adestrados, a fazer tudo sempre do mesmo jeito, quadrado, recebendo conteúdos como quem cataloga, registra, decora...ficamos acomodados a aulas convencionais, que não nos fazem agir por nossa própria cabeça, mas que já nos dá tudo pronto, sem questionamentos, sem espírito de iniciativa e achamos isso ótimo pois nos mantém dentro de nossa zona de conforto.
Os debates neste dia foram bem interessantes e nos fizeram pensar sobre como se dá o processo de formação das culturas e identidades que construímos em nosso cotidiano, que certas ações ou atitudes, mesmo de forma imperceptível contribuem para um processo que conduz a determinadas identidades. A reflexão nos levou a uma preocupação sobre o nosso comportamento e como estamos agindo para construir estas identidades, qual o nosso papel frente ao mundo em que vivemos.
Considero que preciso me esforçar mais para entender a proposta do curso e interagir mais para que possa ter um melhor rendimento e aprendizagem. Ainda não compreendi a proposta da pesquisa e não pensei o tema que irei desenvolver.